terça-feira, 9 de junho de 2015

:: Conto :: A diva da noite macabra em: Transformação

   

A diva da noite macabra em: Transformação

Olivia acorda em um quarto todo branco de paredes  acolchoadas, usando  vestido preto e salto.

A porta  abre e um frágil idoso, de olhar frio entra sorrindo:

-Olá! minha menina.

-Eu sonhei com você. Sonhei que estávamos em um cemitério ,você  era o Diabo e meu marido me puxava para o inferno.

-Não foi sonho.


De alguma forma Olivia sabia que ela falava a verdade e se sentia assustadoramente calma.Se levanta tira os sapatos e se encosta na parede.

-Então isso é o inferno?

-Um deles,cada um tem o seu.

-E o meu é um quarto para doentes mentais?

-Um solitário quarto para doentes mentais.

-E o meu marido? No cemitério você disse que ele passaria a eternidade ao meu lado.

Não que estivesse mesmo preocupada com Ivan.

-Ele está no quarto ao lado.

-Mas ele é claustrofóbico.

-Eu sei.Sou mesmo um gênio,não?

-E o que esta fazendo aqui?Vai me atormentar pela eternidade?

Entre sorrisos o frágil idoso responde:

-Não, para isso tenho os demônios e assim como os infernos,  cada um tem o seu.Eu estou aqui para lhe propor um trato.

-Por experiencia própria sei que não é um bom negocio fazer tratos com você.

Com alguns passos Olivia alcança a porta,o que vê a aterroriza.Um longo corredor escuro e úmido, varias portas e  criaturas com os corpos dilacerados,tendo até mesmo alguns órgãos aparente.Assim que percebe que Olivia os observava correm em sua direção como leoas.Olivia fecha a porta desesperada, escorrega pela parede até chegar ao chão e abraça os joelhos.

-É isso ou passar a eternidade aqui,sozinha.Apenas você e suas lembranças.

-E quais seriam as clausulas desse trato.

-Eu preciso de alguém na terra,para agir em meu nome sob minhas ordens e quando não estiver a meu serviço,poderá andar livremente...Ver e falar com quem quiser.Ah! E por falar nisso tenho mantido todos os olhos em Julia,ela sente sua falta,não entende porque foi embora.

Olivia já tinha tomado sua decisão:

-E que tipo de serviço eu faria?

-Ora!Nada de mais. Me encaminhar alguns devedores e vez ou outra pressionar alguns indecisos.No geral fazer a balança pender pro meu lado.

-porque eu?Deve ter vários agindo em seu nome.

-Não,na verdade são bem poucos e estão sem liderança,por isso preciso de você.Você é especial;

-Eu? Mas eu nunca fiz algo de tão ruim assim para ser especial pro Diabo.

-Vou tentar te explicar: Vemos vocês  humanos como um copo com água e dentro duas capsulas flutuam, uma branca representando o bem e uma vermelha representando o mal. O copo permanece inerte até por volta dos sete anos quando as capsulas estouram e assim é formada a essência humana nem boa nem má mas um equilíbrio que o impede de ser um assassino ou ser assassinado. As vezes na infância algo inesperado acontece e faz com que apenas um das capsulas estoure e ai temos homicidas, torturadores, ou  pessoas que abdicam de suas vidas pelos outros.

-Então minha capsula vermelha estourou?

-Existe pessoas que nenhuma das  capsulas estoura e isso é tão extraordinário que tanto eu quanto o Criador ficamos de olho pessoalmente nessas pessoas,que basicamente não teriam essência e poderiam ser moldadas como bem entendêssemos, Ele prefere anjos, eu prefiro...bem, você vai descobrir.

-Se minha essência não é boa nem ruim,o que determina pra onde eu vou? Porque estou aqui e não com ...Ele?

-Pra quem você pede ajuda?Quem você chama? Diz "pelo amor de Deus"  ou  "mais que inferno"?

-Mas são apenas formas de expressar.

-O que esta no coração sai pela boca.

-E o meu marido?

De pé,Olivia tentava ver o corredor através do pequeno quadrado de vidro da porta.Teve pena do marido, não lhe agradava a ideia  de velo passar  eternidade no seu pior pesadelo.

-Não se preocupe estou propondo um trato a ele e pelo desespero creio que vai aceitar;

-Resumindo vou trabalhar para você angariando almas enquanto estiver de folga  posso levar minha vida normalmente?Que criatura vou me transformar?Como vou Identificar e trazer essas almas?

-Calma,cada coisa a seu tempo.Primeiro diz se aceita.

-Sim.Mas preciso...

Olivia não tem tempo de concluir,o corpo lancinante dobra-se,entre gemidos ouve o frágil idoso:

-Não se preocupe em reconhece-los,seus instintos a guiara até eles.E quanto a manda-los para mim,creio que você já sabe como.

Ela sente o ar quente saindo pela boca quando grita de dor.Seus órgãos já tinham se liquefeito,Olivia achou que não aguentaria mais e já ia implorar por uma eternidade de solidão.

Da mesma maneira que começou,também terminou.Foi como se nada tivesse acontecido.Olivia já não sente dor.

Se levanta olha ao redor e o frágil idoso não está, em seu lugar esta um atraente rapaz,alto,lindo sorriso, vestindo um elegante terno cinza grafite e com olhos frios, maldosos:


-E então,como se  sente? Alguma dor?

-Não,não sinto nada...

Checa as presas recém adquiridas.

-...A não ser fome.Eu sou uma vampira.Achei que os vampiros nasciam de  mordidas.

-Me diz uma coisa minha menina, se todos nascem de mordidas quem mordeu primeiro?

Ele oferece o braço de forma elegante. Olivia coloca os sapatos e aceita o braço,juntos saem para o corredor as criaturas se afastam ao vê-los.uma ainda faz menção de ataca-la mas Olivia arreganha os dentes deixando as presas aparente,a criatura geme e se afasta.

No final do corredor a apenas uma parede de rocha,quando o rapaz a toca ela desaparece e Olivia vê a rua da sua casa e o carro do irmão estacionado em frente.

-Daqui em diante você vai sozinha logo te procuro enquanto isso siga seus instintos.

Olivia olha o corredor e a  rua e tem medo de sair,medo do que se transformou.O amor e a saudade de Julia a faz dar o primeiro passo.Para exatamente na linha  divisória:

-Regras?

-Fique longe dos que já decidiram e dos anjos.

-Sol?Alho?crucifixo?

-Besteira.Lembre-se, você é fisicamente superior não indestrutível, contra dois ou cinco você ainda é superior mas contra uma multidão é melhor correr,sugiro que mantenha sua nova condição em segredo.

Mais dois passos e Olivia atravessa,vira e vê a parede se fechando,olha  para o rapaz:

-Como devo chama-lo? Você não tem cara de Diabo.

Com um sorriso malicioso ele responde:

-Quem disse que essa é a minha cara?


Nota:
Qualquer semelhança com os livros do Andre Vianco não é mera coincidência (risos)
Este projeto estava na gaveta a mais de dez anos a ideia inicial era para um livro mas sou preguiçosa demais para termina lo, então estou desmontando e transformando em mini contos até porque assim não me sinto presa a ele.
Se você leu até aqui quero que saiba que sua opinião é muito importante para mim.Toda critica é bem vinda.
Beijos!




Janaína Silva:
Janaina Silva "Todas as noites eu sonhava que caia em um buraco e era um buraco tão fundo que parecia não ter fim.E de tanto cair acabei por perceber que eu não caia...eu voava!Meus olhos determinam onde meus pés podem chegar e meus sonhos dizem que posso ir além"Facebook