terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Resenha:: Jesus Cristo Bebia Cerveja ( Afonso Cruz)

Titulo: Jesus Cristo Bebia Cerveja
Autor: Afonso Cruz
Editora: Objetiva
Ano: 2014
Formato: Digital
App Kindle


Sinopse:  Jesus Cristo bebia cerveja - “Um verdadeiro escritor, tão original quanto profundo, cujos livros maravilham o leitor, forçando-o a desencaminhar-se das certezas correntes e a abrir-se a novas realidades.” – Miguel Real, Jornal de Letras

Filha de um camponês e de uma mulher vinda da cidade, Rosa passou toda a vida no interior de Portugal. Após a morte dos pais, ela fica responsável por cuidar da avó, Antónia, uma senhora idosa que já não escuta bem e precisa de assistência frequente.


Rosa é uma garota linda, e acima de tudo determinada. O último desejo da avó é conhecer Jerusalém. Pois bem; empenhada em realizar este último pedido, e sabendo que a avó não pode mais viajar, a jovem decide levar a Terra Santa até ela; ou melhor, a transformar uma pequena aldeia numa Jerusalém cênica. Mas Rosa não sabe que essa operação irá colocar outras peças em movimento, que mudarão sua própria vida.

Afonso Cruz é um dos autores mais brilhantes da nova geração de escritores portugueses. Com um estilo envolvente, em Jesus Cristo bebia cerveja, o autor fala de acontecimentos que transformam o ser humano, num livro sobre amor, desejo e sacrifício
.fonte



                 Não conseguindo encontrar uma maneira de descrever este livro tive que compara lo a um bom e caro vinho, que lentamente apreciamos, degustando cada nota.Foi difícil constatar isso já que uso devorar para todo livro que eu gosto mas Jesus Cristo bebia cerveja eu gostei de ler e foi uma leitura lenta quase arrastada. 

Quando fez a primeira comunhão,Rosa disse ao padre que sua mãe não era a sua mãe, mas sim a Virgem,que a tinha substituído.O padre,horrorizado, admoestou-a e chegou a puxa-lhe a  as saias e dar-lhe umas palmadas no rabo,Castigo esse que o clérigo apreciou e passou prodigalizar com alguma frequência.Rosa, teimosa, mantinha a teoria de que sua mãe não era a sua mãe,mas a Santa das santas, a própria  Mãe de Deus, a Virgem, a Rainha do Céu.

               De inicio nem a capa nem o titulo me chamaram a atenção mas faz todo o sentido depois que o livro é lido.
               Escrito na terceira pessoa, tem uma escrita complexa,densa tendo que fazer algumas paradas para assimilar.
              Com diálogos fantásticos, onde alguns personagens discutem a existência de Deus ou a procura pelo EU interior, o autor conseguiu uma imparcialidade incrível munindo ambos os personagens com argumentos palpáveis.

-O meu pai costuma usar um argumento curioso, que não  perfilho mas partilho consigo, que sei que aprecia um bom copo ao fim da tarde:não faz sentido nenhum que o mar  não seja doce e potável. Fazer da maior parte do planeta uma coisa intragável é hediondo, e só Deus poderia lembrar-se disso. É a prova de que existe.Se fosse a ciência o a a razão, o que fariam?um mar estupidamente salgado ou uma que se pudesse beber ao balcão dum bar?
              O livro não tem a intenção de fazer você crê ou deixar de crer mas vai fazer com que você questione.
              Os personagens são todos muito bem construídos,Toda vez que surge um personagem o autor apresenta ao leitor todos os fatos que o levou até ali,construindo assim uma intimidade,uma proximidade do personagem com o leitor,

    O hospital tem um cheiro que Rosa abomina,dizem que é éter, mas para ela é o cheiro dos últimos dias,Rosa tem certeza de que a morte cheira a éter e que é assim que a reconhecemos, não pela gadanha nem pelos ossos.
            Eu indicaria esse livro a dois tipo de leitores: aqueles que já atingiram uma maturidade literária e que tenha uma mente mais receptiva e aqueles leitores que querem deixar sua zona de conforto e alçar voos mais altos.
           Não foi uma leitura fácil, mas foi uma leitura agradável e espero que agrade a vocês também.(na verdade não indicaria esse livro pra ninguém,eu mesma não o leria novamente, mas é um livro maravilhoso que me fez refletir, questionar e amei ter lido. contraditório né?pois é exatamente assim o livro)



       Sobre o autor: Afonso Cruz (Figueira da Foz, 1971) é um escritor, realizador de filmes de animação, ilustrador e músico português. Estudou na Escola Secundária Artística António Arroio, nas Belas Artes de Lisboa e no Instituto Superior de Artes Plásticas da Madeira. Vive num monte alentejano perto de Casa Branca, no concelho de Sousel.
Publicou o primeiro romance em 2008, A Carne de Deus — Aventuras de Conrado Fortes e Lola Benites (Bertrand), ao qual se seguiu, em 2009, Enciclopédia da Estória Universal (Quetzal Editores), distinguido com o Grande Prêmio de Conto Camilo Castelo Branco. Em 2011, publicou Os Livros Que Devoraram o Meu Pai (Editorial Caminho), galardoado com o Prêmio Literário Maria Rosa Colaço, e A Contradição Humana (Caminho), vencedor do prêmio Autores SPA/RTP. Em 2012, foi distinguido com o Prêmio da União Europeia de Literatura com o livro A Boneca de Kokoschka (Quetzal, 2010).  Jesus Cristo Bebia Cerveja (Alfaguara, 2012)  foi considerado o Livro Português do Ano pela revista Time Out Lisboa e o Melhor Livro do Ano segundo os leitores do jornal Público. Já em 2014, Para onde Vão os Guarda-chuvas (Alfaguara, 2013) venceu o Prêmio Autores para Melhor Livro de ficção Narrativa, atribuído pela SPA. Foi eleito, pelo jornal Expresso, como um dos 40 talentos que vão dar que falar no futuro.fonte
não costumo colocar informações sobre autores, mas como eu fiquei muito curiosa sobre a mente por traz dessa obra maravilhosa, resolvi pesquisar e decidi dividir o resultado  com vocês espero que apreciem.
.BEIJOSSsss....